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ARIGATÔ!
Essa comemoração do centenário da imigração japonesa tem para nós brasileiros um significado muito importante. Vieram no começo do século passado, enfrentando um outro mundo com todas as diferenças possíveis e imagináveis. Um povo tradicionalista, formal, com um grande sentido de respeito e honestidade, com língua e escrita tão diferente para nós e para eles. Acredito que na época os brasileiros deviam ter a impressão que estavam recebendo seres de outro planeta. Faço uma idéia do sofrimento que os japoneses passaram para se adaptar na sociabilidade, na culinária, essa muito importante e a mais difícil de assimilar. Um povo que vive numa ilha, com pouca terra arável, aproveitada ao máximo, limitando as ofertas de comida, a peixe, verduras e legumes. Deve ter sido penoso chegar a um país onde na época só se comia grãos e carne. Alias foi essa dificuldade que estimulou a dedicação com que eles se empenharam à agricultura aperfeiçoando sua maneira de plantar. Mandaram buscar sementes no Japão e introduziram no nosso país uma alimentação mais saudável, revolucionando a nossa maneira de comer.
Essa é uma das grandes dívidas que temos com os japoneses. Com a sua enorme capacidade de trabalho aos poucos fomos aprendendo com eles técnicas de plantação mais modernas e produtivas. O mais interessante é que apesar dessa diferença tão grande em todos os sentidos foi a colônia que mais se entrosou conosco. Tive muitos alunos nisseis e sempre brincava com eles dizendo que o japonês bom é aquele que nasceu no Japão porque os filhos já assimilavam a malandragem dos brasileiros e tinham preguiça de estudar...
Falando sério, um povo que estava num regime fechado em todos os sentidos, vivendo na época uma pobreza resultante de guerras seguidas com os vizinhos, fez o possível para se adaptar aqui e tempos depois os que vieram com o projeto de ganhar dinheiro e voltar, mudaram de idéia e resolveram ficar num lugar onde tem muita terra boa e povo acolhedor. Hoje em dia é um país desenvolvido, dedicado à eletrônica onde são mestres.
Enriqueceram depois da segunda guerra apesar de terem sofrido o pior ataque que se possa imaginar. Parece que aquele horror desencadeou uma reação positiva de reconstrução, e pondo a mão na massa transformaram aquela terra devastada em um país rico e moderno. São indivíduos atentos, persistentes, com enorme vontade de progredir, são chamados de CDF nas escolas porque tiram os primeiros lugares e pela sua competência também arranjam os melhores empregos. Sinceramente, eu tenho uma “boa” inveja dessa gente admirável que quando erra se sacrifica e sai de campo envergonhada, não querendo se agarrar a um emprego como uma ostra apesar de ter sido pego com a boca na botija como acontece aqui. É uma colônia que não dá dor de cabeça, é muito raro você ver um japonês ou mesmo descendente metido em roubalheiras e confusões a não tirando as exceções.
Ninguém está querendo imita-los no hara kiri, mas como nos faz falta aquela qualidade que eles têm de sobra: vergonha na cara! Tiro o meu chapéu para essa gente valorosa que veio trazer para nós tantos exemplos bons! Com carinho Sayonará!
DIRCE PUCCI
dircepucci@yahoo.com.br
blog: www.batendopapocomdirce.zip.net
Escrito por Dirce Pucci às 10h35
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