BOM DIA...AQUI VAI A MINHA HOMENAGEM A UMA GRANDE MULHER QUE POR COINCIDENCIA FOI MINHA VÓ...BOA SEMANA!
MINHA AVÓ, MINHA “IDOLA”
Em comemoração ao dia da mulher, não encontrei tema melhor do que homenagear a minha avó materna, com muita saudade porque depois de tantos anos passados já tenho a dimensão exata do valor daquela mulher forte, consciente, trabalhadora que foi a dona Maria Palácios, esse não era o seu nome mas como naquele tempo se usava batizar com o nome do santo do dia ela foi “sorteada” com um nome que ela detestava, então se batizou por conta própria com outro nome e virou a dona Maria. Quando eu era criança, via a minha avó como uma pessoa irritadiça, nervosa, quase sempre mal humorada que não gostava de ver os netos por perto sempre enxotando a gente da cozinha. Como boa espanhola era brava e dizia: “quita, quita” que em espanhol quer dizer, sai daí...
Não sei se alguém leu um livro muito interessante que se chama “O feijão e o sonho”.
Pois bem, o meu casal de avós exemplificava exatamente os personagens do livro. Ela era o feijão, prática, com os pés plantados no chão. Ele um descendente de ciganos, bonito, artista, com uma voz maravilhosa, cantava e sapateava em cima da mesa e era o sucesso das festas, provavelmente se tivesse vivido nos dias de hoje, com radio e televisão seria um nome famoso. Ele era o sonho, com um coração do tamanho do mundo, hospedava todos os patrícios que chegavam da Espanha e a minha avó era quem providenciava tudo e ele que tinha uma pequena sapataria em Santos, mais conversava e fazia o relações publicas do que vendia sapato...Minha avó, antenadíssima logo percebeu que se ela não tomasse as rédeas da casa, prontamente estariam na miséria e ela não realizaria o seu sonho que era formar os sete filhos. Isso para ela era uma verdadeira obsessão, mais adiante eu vou contar porque. Determinada, saiu em campo. Fecharam a sapataria e com o dinheiro ela montou uma pensão na praia, a famosa pensão Beira Mar na avenida Presidente Wilson, que estava sempre lotada, com uma comida de primeira e atendimento profissional. Nos dias feriados como carnaval principalmente, os empregados se dispersavam e não apareciam, então a dona Maria ficava direta no fogão (à lenha) com uma ulcera na perna, que nunca fechava, naquele calor tremendo de Santos...
A infância para ela foi uma fase de frustração porque o grande desejo da sua vida era estudar e naquela época, na Espanha, só estudavam em escolas publicas os filhos homens e a filha mais velha e ela era a segunda. Moravam em uma pequena aldeia e eram pobres então não havia possibilidade de realizar sua meta. Pois bem, essa mulher admirável, juntava o papel onde se embrulhava o pão, prendia com alfinete ia para a escola, levava um banquinho e sentava embaixo da janela, ouvia a aula e incrivelmente foi assim que ela aprendeu a ler e escrever mal e mal, mas que foi de grande ajuda na sua vida. AÍ ela jurou para si mesma que se tivesse filhos faria o impossível para que todos tivessem um diploma e realmente cumpriu o seu intento com sacrifício e força de vontade. Essa é a história de uma heroína anônima, na verdade uma grande Mulher!!!
A benção, minha Avó!
DIRCE PUCCI
dircepucci@yahoo.com.br
BLOG: www.barendopapocomdirce.zip.net .
Escrito por Dirce Pucci às 09h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|