ARTIGO 2: JORNAL "O DEMOCRATA"
DEGRADAÇÃO
O nosso país é cheio de novas ruínas. Em praças, parques, arborização de ruas, parece que o povo tem um estranho prazer de destruir, quebrar, sujar, assim que a prefeitura faz qualquer melhoria. Puxam os galhos, quando não arrancam a arvore inteira ou senão usam a arvore como varal, furtam gradis e luminárias, picham as esculturas e as paredes assim que são pintadas, numa fúria terrível de estragar o que está limpo e bonito.
Não conseguem tomar posse da sua cidadania e compreender que aquilo é seu, que eles próprios vão usufruir daquela limpeza e daquela beleza.
Quando vim para S. Roque fui morar na avenida Marginal que naquela época era sem calçar, o rio ainda não estava canalizado, então numa tentativa de ajudar a embelezar um pouco o cenário, plantamos arvores em volta da casa que ficava numa esquina. Ninguém pode imaginar o trabalho que tivemos para conseguir que aquelas ãrvores crescessem.
Os vândalos de plantão estavam sempre atentos pois qualquer descuido já era motivo para se pendurar nos galhos e estragar o que tinha nos dado gasto e trabalho.
Depois que as arvores cresceram muitas pessoas que trabalhavam nas redondezas, na hora do almoço sentavam debaixo das sombras rendadas dos Flamboayant na calçada, para comer o seu lanche e na época da florada algumas pessoas paravam o carro para fotografar aquele encanto da natureza... Posso fazer uma idéia do trabalho da prefeitura para repor todos os estragos feitos em seus trabalhos. Em S. Paulo o prejuízo dessa restauração é enorme, tanto assim que eles mantêm duas equipes; uma para executar o serviço e outra para reparar os estragos. Quem paga tudo isso? O próprio povo que teima em andar para trás numa burrice de dar dó...Alem disso tem o problema da falta de segurança nas praças, assim que escurece ninguém se aventura a sentar num banco porque aquele território já mudou de dono. Não há guardas suficientes para o policiamento, então um local que poderia ser de lazer se transforma num recinto proibido para as famílias, virando, isso sim, dormitório de desocupados e pior, de delinqüentes... Como se concertaria esse problema?
Claro que o remédio para isso seria como sempre a educação. Tenho visto depredação na saída das escolas o que é muito desanimador porque ali se forjam os cidadãos do futuro. É necessário incutir na cabeça das crianças essa noção de cidadania. É um trabalho de muito fôlego e o resultado é a longo prazo mas valeria a pena tentar. Eles serão os “tomadores de conta” de um patrimônio pertencente à cidade e aos seus cidadãos.
DIRCE PUCCI
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